Terça-feira - Manaus - 22 de outubro de 2019 - 21:04

MANAUS-AM

Polícia prende 16 flanelinhas em um mês, mas não vai proibir atuação em Manaus

Guardadores de carros em Manaus já somam mais de dois mil. População não aprova, mas Estado quer incentivar a profissão

REDAÇÃO TODA HORA

Publicado em 5 de janeiro

Flanelinhas atuam livremente, sem qualquer regulamentação

Foto: Divulgação

A Delegacia Móvel instalada na Manaus Moderna já pendeu, desde dezembro de 2017, 16 flanelinhas no Centro de Manaus. Na tarde desta quinta-feira, 04/01, foi apresentado Francisco das Chagas Henrique de Souza Júnior, 34, foragido da Justiça desde julho de 2015. Ele é condenado a 10 anos de reclusão por homicídio praticado em 2003, além de responder pelo crime de tráfico de drogas e estava trabalhando como flanelinha.

Segundo o secretário da Secretaria Executiva-Adjunta de Operações, o delegado Orlando Amaral, mesmo com 16 prisões em pouco mais de um mês, os guardadores de carro não serão proibidos de exercer a função. Pelo contrário, a SSP vai organizá-los e incentivar o trabalho junto com as associações e cooperativas.

"Não precisamos acabar com isso, precisamos organizar. O secretário Bosco Saraiva já conversou com eles em reunião com os representantes e, inclusive, vai fornecer crachás e coletes”, disse Orlando Amaral.

Após a apresentação do 16o preso em um mês, o TodaHora foi às ruas questionar o assunto dos motoristas e de dez pessoas entrevistadas, oito foram contra o trabalho dos flanelinhas. De acordo com a maioria, o 'trabalho' dos guardadores de carros não passa de extorsão. "Eu acho que deveria acabar. Ninguém gosta de ser coagido  pagar R$ 2 toda vez que para. Você se sente ameaçado e paga", afirma o vendedor de carros público Júlio Marques.

"Na Ponta Negra é pior do que no Centro. Eu mesmo já tive meu carro arranhado porque disse que não precisava reparar. Pensei que depois que proibiram os limpadores de vidro fariam o mesmo com esses flanelinhas. Pra mim é um abuso", completou a fisioterapeuta Liliane Albuquerque.

Nesta sexta-feira, 05/01, o Governador Amazonino Mendes lança projeto “Manaus Moderna”. Com isso, carregadores e guardadores de veículos que atuam na região da Manaus Moderna, no centro de Manaus, zona sul da capital, passarão a atuar com identificação, além de fazerem parte de um banco de dados da Secretaria de Estado de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM). 

Cadastro

A Delegacia Móvel está funcionando avenida Beira Rio, ao lado do Mercado Municipal Adolpho Lisboa, no Centro de Manaus, desde a primeira semana de dezembro. O secretário de Segurança Pública do Estado, Bosco Saraiva, já determinou que a Polícia Civil faça o cadastramento e filtragem dos flanelinhas e carregadores.

"Por conta dos roubos que estão acontecendo aqui, que algumas vezes envolve carregadores e flanelinhas, nós já fizemos mais de 500 cadastros. Deses, 16 foragidos foram recapturados e identificamos 30 que têm problemas na Justiça, mas que não são foragidos. A SSP não vai fazer nenhuma objeção em fornecer o material de trabalho", disse.

Em 2014, o então vereador Ednailson Rozenha (PSDB) apresentou o projeto 131/2014, que categoriza a atividade dos guardadores e lavadores como “coação e extorsão”. "A sociedade não aguenta mais conviver com isso. [Os flanelinhas] são uma classe que precisava dar valor a seu trabalho e não deu, porque se eles tinham uma associação que geria [a atividade], ela deveria ter visto que havia cinco vezes mais flanelinhas do que os cadastrados e estavam praticando vilipêndio pela cidade de Manaus”, disse o vereador à época.

Porém, depois de pressão dos trabalhadores, que chegaram a ir à Câmara Municipal de Manaus (CMM) fazer um protesto pedindo para que o projeto não fosse adiante, a discussão foi encerrada. Atualmente, Manaus tem aproximadamente dois mil flanenlinhas.

FONTE: Reportagem: Nickson Maciel