Sexta-feira - Manaus - 5 de junho de 2020 - 01:15

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MPE quer que Raphael Souza seja levado a Júri Popular por homicídio

Atualmente, Raphael Souza cumpre pena pelo crime de tráfico de drogas no regime aberto na Casa do Albergado

REDAÇÃO TODA HORA

Publicado em 11 de junho

De acordo com os últimos documentos, Raphael está trabalhando em uma empresa de comunicação visual

Foto: Divulgação

O Ministério Público do Amazonas (MPE), mais uma vez, se manifestou a favor de que o presidiário Raphael Wallace Souza seja levado a Júri Popular. Desde 2015, a defesa do filho do falecido deputado Wallace Souza tenta evita que ele seja julgado pela morte de Luiz João Macedo de Souza, o ‘Luiz Pulga’, assassinado em abril de 2008, na zona leste de Manaus. Além dele, outros dois homens são réus neste processo.

Raphael responde ao processo por suspeita de ser o mandante da execução de Luiz Pulga. De acordo com a denúncia apresentada pelo MPE, o homem havia sido procurado pelo filho de Wallace para matar a juíza federal Jaiza Fraxe, em razão de ela ter decretado a prisão do cel. PM Felipe Arce e de outras pessoas na chamada "Operação Centurião". Conforme o processo, as prisões teriam prejudicado os interesses da quadrilha da qual eles fariam parte. Mas, segundo as investigações, Pulga se recusou a fazer o serviço.

Por conta da recusa, consta nas investigações que, pelo fato de ele saber da trama Raphael contratou Givanil Freitas Santos, Jair Martins da Silva e Joarez dos Santos Medeiros, o ‘Beto Cuzudo’. O trio executou Pulga no dia 3 de abril de 2008, após uma emboscada, em um bar no Coroado, na zona Leste.

Um ano e cinco meses depois, Beto Cuzudo também foi assassinado. A defesa de Rapahel Alega que ele não teve nenhum envolvimento na morte, mas depoimentos como o do ex-policial militar Moacir Jorge Pessoa da Costa, o ‘Moa’, indicaram a participação dele na trama. Moa foi assassinado em janeiro de 2017, na chacina do Complexo penitenciário Anísio Jobim (Compaj).

No último dia 28, no seu manifesto, o procurador do MPE Carlos Antônio Ferreira Coelho, reforçou a necessidade de Raphael seja julgado pelo Tribunal do Júri.

“...bom ressaltar que esta questão (negativa de autoria) poderá ser melhor explorada pela defesa em Plenário e que, neste momento, bastam indícios de autoria e prova da materialidade do crime para autorizar que o feito siga para a próxima fase do procedimento. No caso dos autos, não faltam indícios de autoria em relação ao recorrente. Justa, portanto, a sentença recorrida, cujo acerto há de ser reconhecido em prestígio à instituição do Tribunal Popular e a Soberania dos Veredictos emanados pelo conselho de sentença, a teor do artigo 5.°, XXXVII, da CR”, consta no documento no site do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM).

A defesa de Raphael Souza informou que apesar de o MPE ter apresentado parecer favorável ao julgamento popular, vai aguardar a decisão dos desembargadores para poder verificar as providências a serem tomadas. 

Pena

Atualmente, Raphael Souza cumpre pena pelo crime de tráfico de drogas no regime aberto na Casa do Albergado. Ele foi condenado a 11 anos pelo crime em 2009. Ele voltou a ser condenado a 9 anos, em 2012, pelo assassinato do traficante Cleomir Pereira Bernardino, o ‘Caçula’, em 2007, no São Jorge.

Conforme as leis penais, o condenado em regime aberto deverá, fora do estabelecimento e sem vigilância, trabalhar, frequentar curso ou exercer outra atividade autorizada, permanecendo recolhido durante o período noturno e nos dias de folga.

De acordo com os últimos documentos, ele está trabalhando em uma empresa de comunicação visual. De acordo com TJAM, ainda faltam seis anos, seis meses e dois dias para concluir suas penas.