Quinta-feira - Manaus - 12 de dezembro de 2019 - 00:21

MANAUS-AM

Justiça condena médico Armando Araújo a três anos de reclusão e perda de função pública

Armando Andrade Araújo cobrou R$ 2 mil por realização de parto em hospital público e foi condenado por corrupção ativa

REDAÇÃO TODA HORA

Publicado em 17 de julho - 14:02

O fato denunciado pela vítima ocorreu em 2012 e o processo começou a tramitar em 2014.

Foto: Divulgação

O juiz Rivaldo Matos Norões Filho condenou o médico obstetra Armando Andrade Araújo a três anos e três meses de reclusão, além da perda de função pública pelo crime de corrupção ativa por ter cobrado R$ 2 mil de uma paciente para a realização de um parto em uma maternidade pública de Manaus em 2012. O processo foi julgado, nesta terça-feira, 16/7, na 1ª Vara Criminal da Comarca de Manaus. 

O fato denunciado pela vítima ocorreu em 2012 e o processo começou a tramitar em 2014. O atendimento da paciente iniciou no Instituto da Mulher, onde ela chegou às 18h do dia 8 de março de 2012 e permaneceu até às 3h. Como o plantão do médico Armando Andrade estava acabando, ele pediu para a vítima ir para casa e comparecer na maternidade Chapot Prevost às 7h da manhã seguinte. 

O parto só foi feito no dia 9 de março, entre 8h e 9h da manhã. A mãe somente teve contato com o bebê por volta das 19h. Ela ficou aguardando esse período sem saber se a filha estava viva, pois ninguém lhe deu informações no hospital. Quando a criança nasceu, estava com um aspecto roxo e não chorou, sendo levada imediatamente para a UTI.

Durante a audiência criminal realizada nesta terça-feira, o marido da vítima afirmou que chegou a entregar o dinheiro ao médico. Armando, contudo, disse ter solicitado o dinheiro, mas alegou que não chegou a receber o pagamento. Foram ouvidas a vítima, três testemunhas (pai da criança, mãe da parturiente e uma médica), além do médico acusado na mesma audiência. 

O magistrado não determinou a indenização da vítima e multou Armando Andrade Araújo em R$ 332,66, além de o responsabilizar pelas custas processuais. O obstetra pode recorrer da decisão em liberdade.

O regime aberto é direcionado a pessoas condenadas em até quatro anos de reclusão sem que tenha reincidência de crime. Nesse regime, o detento deve trabalhar, frequentar cursos ou exercer outra atividade autorizada durante o dia e recolher-se à noite em casa de albergado ou na própria casa.

Atualmente, Armando permanece afastado da rede pública de saúde. A medida foi mantida pelo juiz Rivaldo Matos Norões Filho na decisão desta terça-feira. O Igoam, instituto pelo qual Armando ainda mantém vínculo com a rede pública de saúde, além da Susam e do CRM serão oficiados da decisão. 

O juiz Rivaldo Matos Norões Filho afirmou que a responsabilidade de Armando no crime estava comprovada.

“A culpabilidade do acusado está evidenciada, e o grau de reprovabilidade da sua conduta deve recrudescer a pena, pois, embora médico e detentor do ônus profissional de prezar pela saúde dos pacientes, o acusado aproveitou-se da condição de gravidez da vítima para obter vantagem indevida em evidente afronta ao seu dever profissional. O réu era primário e de bons antecedentes à época dos fatos, apesar de, atualmente, haver em sua folha de antecedentes registros criminais baixados”, escreveu o magistrado na decisão.

Agressão

Armando é o médico que aparece em um vídeo agredindo uma parturiente de 16 anos de idade durante procedimento feito em maio de 2018 na Maternidade Balbina Mestrinho, na Zona Sul de Manaus. 

O vídeo viralizou nas redes sociais no último mês de fevereiro e o obstetra já está afastado da função.