Quarta-feira - Manaus - 21 de novembro de 2018 - 04:29

MANAUS-AM

'Ele estuprou e matou menina para não assumir namoro', diz PC sobre queimado em Borba

Ele foi retirado da delegacia e morto por moradores da cidade do interior do Amazonas

REDAÇÃO TODA HORA

Publicado em 10 de julho - 09:57

O delegado-geral da Polícia Civil do Amazonas, Mariolino Brito, concedeu entrevista para explicar o caso de Borba (a 151 quilômetros ao sul de Manaus), que resultou no linchamento de um rapaz de 18 anos, no domingo, 08/07. De acordo com ele, Gabriel Lima Cardoso, mantinha um relacionamento amoroso com a adolescente, de 14 anos, estuprada e morta na cidade, na última quarta-feira (4).

“Depois que ele negou ter um relacionamento, ela discutiu com ele e acabou sendo esfaqueada durante a discussão. Esse fato já havia sido apurado e a prisão preventiva dele, decretada. O pai de Gabriel resolveu entregá-lo. O suspeito foi, então, enviado para o quartel da polícia militar”, disse o delegado-geral.

Neste domingo (8), os moradores de Borba invadiram os prédios do 9° Comando de Policiamento do Interior da PM (CIPM) e da 74ª Delegacia Interativa de Polícia, retiraram Gabriel, após confrontarem policiais militares, mataram e queimaram o suspeito.

O delegado-geral informou que 16 policiais foram enviados à cidade, dentre os quais constam delegados, investigadores, peritos e tropa das Rondas Ostensivas Cândido Mariano (Rocam). “Esse reforço permanecerá na cidade enquanto for necessário e estará lá para manter a ordem”, afirmou Mariolino.

“O povo fez Justiça com as próprias mãos e quebrou a delegacia. Então, o grupo que estamos enviado até lá tem como um dos objetivos acalmar os ânimos da população, para que possamos dizer que Borba é uma cidade tranquila”, relatou o delegado-geral, que classificou a ocorrência na cidade como ‘um fato atípico’.

Mariolino Brito afirmou que a estratégia policial é de identificar os envolvidos pelas redes sociais, que foram usadas para instigar a revolta. “As redes sociais ajudam a inflamar o ódio de pessoas envolvidas nesse tipo de revolta”, relatou o delegado-geral. O número de revoltantes permanece desconhecido até o momento.

O grupo investigado poderá responder por homicídio, dano ao patrimônio público, ameaça e incêndio criminoso, de acordo com Brito. “Os revoltantes utilizaram um rojão para constranger os policiais que tentaram impedir o assassinato de Gabriel”, disse. O inquérito Policial (PC), aberto pela Polícia Civil (PC) para investigar as circunstâncias do crime, durará trinta dias, ainda conforme o delegado-geral.

Quando questionado se a cidade havia voltado à normalidade, Brito afirmou que, após a confusão, Borba retornou à calmaria. “Normalmente, quando acontece um fato dessa natureza. Passada a euforia, tudo volta ao normal. Muitos revoltantes se arrependem do que fizeram. E é por isso mesmo que a polícia tem que ir lá com o intuito de evitar que acontecem mais fatos dessa natureza. A justiça realizada com as próprias mãos é um crime medieval e não republicano”, disse.