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MUNDO

Dez anos após acidente da Air France, famílias ainda cobram respostas

Parentes brasileiros de parte das 228 vítimas ainda esperam o indiciamento de responsáveis pelo acidente

REDAÇÃO TODA HORA

Publicado em 31 de mai - 09:59

Eram 216 passageiros de 32 nacionalidades, sendo 59 brasileiros 

Foto: Divulgação

A tragédia do voo 447 da Air France completa 10 anos nesta quinta-feira, 31, e, passada uma década, parentes brasileiros de parte das 228 vítimas ainda esperam o indiciamento de responsáveis pelo acidente. Trata-se do único acidente na rota entre Rio e Paris, operada pela aviação comercial há oito décadas. Da apreensão do desaparecimento da aeronave lotada - eram 216 passageiros de 32 nacionalidades, sendo 59 brasileiros - até o esclarecimento do que de fato aconteceu, feito após investigação francesa, passaram-se mais de três anos.

Mas conclusões do Escritório de Investigação e Análise para Aviação Civil da França (BEA, na sigla em francês) não trouxeram alívio, para ao menos parte dos parentes. Para alguns deles, reunidos na Associação Brasileira dos Familiares de Vítimas do Voo AF447, possíveis responsáveis pela tragédia aérea seguem impunes.

Presidente da associação, o aposentado Nelson Faria Marinho, de 76 anos, perdeu na tragédia o filho, também Nelson, então com 40 anos, que estava de mudança para a Europa. Desde então, já viajou a Paris para acompanhar as investigações do caso ao menos 15 vezes.

"A denúncia criminal ficou a cargo da Justiça francesa", explica o aposentado, ao se referir a um inquérito que culpou o comandante Marc Dubois e os pilotos David Robert e Pierre Cedric Bonin pelo acidente.

A investigação das autoridades aéreas francesas indicou que um problema tido como simples, o acúmulo de gelo em um instrumento que mede a velocidade do avião, resultou em uma série de indicações incorretas sobre o status do voo a Robert e Bodin, que efetuaram comandos com base nessas informações. Eles terminaram por fazer a aeronave perder sustentação aerodinâmica. Dubois entrou na cabine depois que os problemas já haviam começado e pouco pôde fazer para reverter a queda fatal.