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Criminosos fazem cirurgias plásticas para tentar fugir da polícia

Criminosos têm adotado procedimentos estéticos para tentar fugir do radar da polícia. Entre os que adotaram a tática estão: Lenon Oliveira do Carmo, o ‘Bileno’, e João Pinto Carioca, o ‘João Branco’

REDAÇÃO TODA HORA

Publicado em 21 de outubro - 13:00

Lenon Oliveira do Carmo, o ‘Bileno’, tentou desfrutar uma vida de luxo e comandar, do Ceará, o tráfico de drogas no Amazonas

Foto: Divulgação

Não basta somente trocar de nome e endereço. Tem sido cada vez mais comum traficantes recorrerem às cirurgias plásticas para mudar a aparência e fugir dos olhos da polícia. Foi desta forma que o presidiário Lenon Oliveira do Carmo, 39, o ‘Bileno’, tentou desfrutar uma vida de luxo e comandar, do Ceará, o tráfico de drogas no Amazonas como integrante do Comando Vermelho. 

A tática adotada por Bileno, conhecido no Amazonas por decapitar rivais, na zona Leste de Manaus, já havia sido identificada pela polícia com a prisão de Wayner de Matos Magalhães, o ‘Pepê’, em 2013. Ele foi morto em 2017, com mais de 40 tiros, no Ceará, estado que tem sido um dos locais escolhidos como refúgios de traficantes do Amazonas. 

Em 2013, Pepê chegou a ser preso e ainda mantinha as ataduras no rosto e uma cinta do pós-operatório. De acordo com a polícia, ele foi adepto de procedimentos de rinoplastia, preenchimento de colágeno e ginecomastia, procedimento realizado  para diminuir as mamas do homem. 

Outro que aderiu aos procedimentos cirúrgicos foi o narcotraficante João Pinto Carioca, o ‘João Branco’. Ao ser preso em 2015, pela Polícia Federal (PF), em Pacaraima, ele foi encontrado totalmente diferente. As cirurgias feitas pelo traficante não foram detalhadas à época pela PF, mas fotografias confirmam a mudança. 

Novo adepto 

No último sábado, 17/10, Lenon Oliveira do Carmo, 39, o ‘Bileno’, foi recapturado na Região Metropolitana de Fortaleza, no Ceará. O criminoso é apontado pela Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP) como autor de homicídios em Manaus e responde a processos que somam pena de mais de 60 anos de prisão.

Bileno estava foragido do sistema prisional desde 2018, após ter obtido na Justiça o direito a prisão domiciliar. A recaptura dele ocorreu após três meses de investigações. 

Para tentar se esconder da polícia amazonense, Bileno não só mudou de identidade, mas também fez cirurgias plásticas no rosto, ganhando nova aparência.

Irreconhecível, Bileno ostentava uma vida de luxo com a família na capital cearense. Ele foi preso no momento em que estava visitando sua nova residência, uma casa de alto padrão a poucos metros da praia de Icaraí, na região litorânea. 

Ficha 

Considerado de alta periculosidade, Lenon Oliveira tem envolvimento em diversos assassinatos, em Manaus, relacionados ao crime de tráfico de drogas. Ele participou das mortes registradas no Complexo Penitenciário Antônio Jobim (Compaj), em janeiro de 2017, quando 56 detentos foram brutalmente assassinados.

Bileno era de uma facção criminosa Família do Norte (FDN) e, há cerca de dois anos, mudou de grupo e passou a ocupar um posto de comando no Comando Vermelho. De acordo com as investigações, Bileno era uma espécie de executivo do presidiário Gelson Carnaúba, vulgo “Mano G”, chefe desta facção criminosa.

De acordo com as investigações da Polícia Civil, o condenado domina o tráfico doméstico em bairros como Colônia Antônio Aleixo, Distrito II e Puraquequara, e atuava no intercâmbio das drogas através das orlas fluviais dos bairros. 

Bileno também comandava invasões de terras na capital amazonense e tinha sob sua liderança uma milícia armada altamente violenta responsável pela propagação do tráfico de drogas. Em uma invasão no Francisca Mendes, ele montou um clube de lazer para traficantes e desviou o curso do rio para montar um balneário natural.