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MUNDO

Congresso argentino volta a discutir legalização do aborto

Diversas ruas de cidades da Argentina foram tomadas pela população usando lenços verdes em defesa da legalização do aborto

REDAÇÃO TODA HORA

Publicado em 29 de mai - 10:31

Os adversários da lei querem protestar em várias cidades do país, usando lenços azuis, em resposta ao símbolo dos defensores.

Foto: aFP

Milhares de pessoas voltarão, nesta quarta-feira (29), às ruas de várias cidades argentinas usando lenços verdes em defesa da legalização do aborto.

O movimento espera que a lei seja aprovada em breve pela Câmara dos Deputados em Buenos Aires. Por sete vezes, um projeto de lei semelhante foi apresentado ao Congresso – até agora sem resultado. A partir de hoje, a discussão entra na oitava rodada.

Desde 1921, uma gravidez na Argentina só pode ser interrompida em decorrência de estupro ou se colocar em risco a vida da mulher. Durante anos, as tentativas de relaxar a legislação não tiveram sucesso.

Em 2005, teve início uma campanha conjunta de mais de 70 organizações que se engajam pelo aborto legal, seguro e gratuito.

Após a sétima tentativa de aprovação no Congresso, o movimento já acreditava em seu objetivo: em junho de 2018, a Câmara dos Deputados aprovou o projeto apresentado pelo movimento.

Três meses depois, no entanto, a lei foi rejeitada pelo Senado, com maioria de apenas sete votos. Agora, um ano depois, o movimento está recomeçando – com uma lei ligeiramente modificada.

A forte resistência ao aborto na Argentina é liderada pela Igreja: 71% da população são católicos. Em outubro de 2018, o papa Francisco – que é argentino – deixou clara sua posição no debate: "É justo matar alguém para resolver um problema? É como contratar um assassino de aluguel."

As declarações do papa causaram polêmica não só na Argentina. e aumentaram ainda mais a divisão do país no debate sobre o aborto.

A rede Unidade Provida reúne mais de 150 organizações que se opõem ao aborto, para as quais a legalização completa da interrupção da gestação seria a institucionalização da violência contra as mulheres. "Em todo aborto não morre apenas uma criança inocente. Mas também se destrói uma mulher", diz o movimento em declaração oficial. "O aborto é um fracasso social, e não uma resposta humana aos desafios da sociedade."

Nesta quarta-feira, os adversários da lei querem protestar em várias cidades do país, usando lenços azuis, em resposta ao símbolo dos defensores.

O projeto apresentado ao Congresso descriminaliza e legaliza o aborto nas primeiras 14 semanas de gestação e, além desse período, quando a vida ou saúde da mulher estiver em risco ou em casos de estupro.