Sexta-feira - Manaus - 19 de outubro de 2018 - 16:20

MANAUS-AM

Alta do dólar eleva endividamento do Estado

O endividamento externo cresceu 25 pontos percentuais entre 2016 e 2017, alcançando 50% da dívida consolidada de pouco mais de R$ 6,2 bilhões

REDAÇÃO TODA HORA

Publicado em 16 de mai - 10:15

Apenas na terça-feira (15), dia em que o dólar chegou ao maior nível desde abril de 2016

Foto: Divulgação

Em meio à dificuldade para equacionar a delicada situação fiscal, alguns estados vão ter que encarar mais uma fonte de dor de cabeça: a forte valorização do dólar nas últimas semanas e os seus efeitos sobre o endividamento em moeda estrangeira.

De janeiro até terça-feira (15), a dívida externa total dos estados cresceu R$ 15,1 bilhões. Ela saiu de R$ 97 bilhões e atingiu R$ 112,1 bilhões, segundo estimativas feitas com base em dados do Banco Central e no comportamento do dólar.

Entre os estados, o mais comprometido é o Amazonas, onde o endividamento externo cresceu 25 pontos percentuais entre 2016 e 2017, alcançando 50% da dívida consolidada de pouco mais de R$ 6,2 bilhões. O levantamento com base em dados do Tesouro foi feito por Vilma da Conceição Pinto, pesquisadora do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas.

Apenas na terça-feira (15), dia em que o dólar chegou ao maior nível desde abril de 2016, cotado a R$ 3,66, o endividamento externo dos estados subiu R$ 1,2 bilhão. A nova fonte de tensão não atinge de maneira uniforme todos os estados, mas acerta justamente os governos menos endividados -pelo menos até o fim do ano passado.

Se os governos regionais com grandes volumes de dívida tivessem boa parte dela em moeda estrangeira, o estrago poderia ser muito maior.

Completam o grupo do estados mais endividados em dólar o Ceará (49% de uma dívida de quase R$ 12 bilhões); Pernambuco (43,5% da dívida de R$ 14,7 bilhões); Piauí (42,6% de uma dívida total de R$ 5 bilhões); e o Acre, com 40,8% da dívida em outras moedas.

Mas mesmo com a alta do dólar, diz o secretário da Fazenda de Pernambuco, Marcelo Barros, o financiamento na moeda americana segue mais atraente devido às baixas taxas de juros externas.

Além disso, diz, muitos contratos têm salvaguardas contra desvalorização de moedas que podem ser acionadas se o governo entender necessário.

Raul Velloso, economista especializado em finanças públicas, diz que, no desespero para obter recursos, o ponto de preocupação é que os estados não devem fazer análise muito sofisticada das operações afetadas pela câmbio.

Para Velloso, diante dificuldade para equacionar o caixa, o endividamento em dólar deve ser o último problema a receber atenção dos estados.