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DIVERSÃO

Tudo o que você precisa saber antes assistir Liga da Justiça

Na última semana, estreou mundialmente Liga da Justiça, esforço da Warner Bros. em disputar espaço com a franquia Os Vingadores, da concorrente Marvel

REDAÇÃO TODA HORA

Publicado em 21 de novembro - 10:03

Filme é um dos mais aguardados pelos fãs de super heróis

Foto: Divulgação

Numa rápida pesquisa sobre as maiores bilheterias de 2017 do cinema encontramos nada menos que quatro filmes de super-heróis entre os dez mais vistos do ano. Há um quinto, Logan, na 11ª posição. Mas logo a lista aumentará. Na última semana, estreou mundialmente Liga da Justiça, esforço da Warner Bros. em disputar espaço com a franquia Os Vingadores, da concorrente Marvel. Salvo qualquer surpresa, o filme deverá entrar com alguma facilidade no top 10 do ano.

Não que juntar heróis como Batman e Super-Homem no mesmo filme seja exatamente uma receita de sucesso. O primeiro encontro dos famosos personagens dos quadrinhos em película, Batman vs Superman: A Origem da Justiça, não chegou a fracassar, mas tampouco foi um sucesso retumbante. Ficou na casa dos 870 milhões de dólares arrecadados em 2016 (para efeito de comparação, o filme de maior sucesso nas bilheterias este ano é A Bela e a Fera, que já bateu a marca de 1,2 bilhão de dólares).

Só que ninguém vai ao cinema porque este ou aquele filme estão vendendo muito ou pouco. Não conscientemente, ao menos. A questão é que disputar espaço é uma coisa que Marvel e DC Comics – casa editorial do Homem-Morcego e do Filho de Krypton – fazem muito bem desde aos anos 70, quando os personagens criados pelo fundador da Marvel, Stan Lee, começaram a desbancar os ícones da DC – Super-Homem, Batman, Mulher-Maravilha – nos quadrinhos.

A disputa nas telonas, no entanto, tem uma configuração diferente: a Marvel Studios (Capitão América, Homem de Ferro, Thor, Hulk e cia.) é um braço do maior conglomerado de entretenimento do mundo, a Disney, enquanto os personagens da DC pertencem à Warner Bros., um estúdio que, ainda que esteja entre os maiores do planeta, não tem atualmente uma franquia de sucesso para chamar de sua (Harry Potter faz muita falta).

Eis que é inevitável falar do lançamento de Liga da Justiça sem relacioná-lo a Os Vingadores, da mesma forma que os fãs de Marvel e DC não vivem sem medir o poder de seus heróis preferidos sobre os da concorrência.

Heróis sem causa

Para chegar a Os Vingadores, a Marvel criou um conceito nomeado de “universo cinemático”, em que os eventos de cada filme-solo de um herói estão, de alguma forma, relacionados aos dos filmes que reúnem toda a turma. Por isso, algo que aconteceu há pouco em Thor: Ragnarok influenciará o terceiro filme dos Vingadores, Guerra Infinita, previsto para estrear em abril do ano que vem.

A DC chegou mais tarde à festa. Isso porque apesar do sucesso da trilogia de Batman dirigida por Christopher Nolan, com Christian Bale vivendo o Homem-Morcego, nos anos 2000, foi somente com O Homem de Açoreboot dos filmes do Super-Homem, de 2013, que a Warner decidiu investir na mesma fórmula da concorrente, inventando o seu “universo estendido” – que passou pelo já citado Batman vs. Superman, pelo tenebroso Esquadrão Suicida e, mais recentemente, pelo lançamento de Mulher-Maravilha no primeiro semestre deste ano.

Acontece que juntar as histórias de tantos personagens diferentes entre si e dar a eles um objetivo comum não é algo simples para os realizadores. Tanto que a Warner precisou buscar um dos roteiristas dos próprios Vingadores, Joss Whedon, para dar conta do recado. O resultado: o esforço em unir gregos e troianos – ou, adaptando ao vocabulário de Liga da Justiça, amazonas e atlânticos – não passa despercebido. Liga da Justiça é isso: um filme “esforçado”.

Vilão de borracha

Se Batman é um órfão atormentado que descarrega suas frustrações combatendo o crime; Super-Homem, um alienígena que busca aceitação; e Mulher-Maravilha uma amazona vinda de uma virtuosa civilização alternativa, o que diabos pode uni-los em torno de um mesmo objetivo?

A ameaça da destruição do mundo, é claro.

Como se tornou usual nessa linhagem recente de filmes de heróis, a destruição do mundo é normalmente a consequência da busca de algum ser extraterreno por um artefato universal altamente poderoso. Se na Marvel são as “joias do infinito”, na DC são as “caixas-mãe”, objetos ultrapoderosos capazes de gerar e manipular energia de fontes diversas. E, no universo de Liga da Justiça, quem está procurando as tais caixas é um Steppenwolf – não a banda canadense de rock, mas um vilão, chamado em português de Lobo da Estepe.

O Lobo da Estepe anda acompanhado de outras criaturas, chamadas de parademônios, espécie de insetos-gigantes-zumbis que carregam armas laser. Eles chegam à Terra enquanto o planeta ainda está perturbado pela morte do Super-Homem, conforme os eventos de Batman vs. Superman. Batman está investigando essas aparições e decide recrutar outros heróis para combater a ameaça.

O Lobo de Estepe e os parademônios são inimigos canônicos da Liga da Justiça nos quadrinhos. O problema é que sua transcrição para a tela, em formato de computação gráfica, os transformou em seres anódinos e sem motivações claras. Não são personagens com os quais o público crie repulsa (ou identificação). E um vilão ruim (mal concebido, não mau por suas atitudes), afinal, não motiva suficientemente seus rivais e, com isso, a narrativa perde força.

Alívio cômico

Zack Snyder se tornou um nome de peso em Hollywood depois de dirigir para a Warner 300, com Rodrigo Santoro, um espetáculo visual adaptado da HQ de Frank Miller. O sucesso lhe rendeu outra adaptação dos quadrinhos, Watchmen: O Filme, uma história cult dos gibis. O domínio sobre o universo DC, no entanto, não fez tão bem ao seu prestígio. Snyder ainda se esmera no visual, mas deixa muito a desejar em direção de atores.

Se essa sua “marca” já era visível com o Super-Homem gritalhão e chorão de Henry Cavill, um homem com superpoderes incapaz de controlar emoções básicas, alcançou novos patamares de ruindade com a atuação canastrona de Ben Affleck como Bruce Wayne. A performance de Affleck em Liga da Justiça é tão fraca que derruba consigo até a atuação de um peso-pesado como Jeremy Irons, intérprete do mordomo Alfred.

Por trás da máscara de Batman, Affleck não causa tanto prejuízo, exceto quando o personagem – não nos esqueçamos, um órfão que teve os pais mortos por criminosos e que se torna um adulto obcecado e antissocial – flerta com o humor. A simples sugestão de um Batman cheio de graça é uma facada no coração do fã acostumado ao cânone dos quadrinhos.

Se é pra fazer graça, que ela fique com Flash (Ezra Miller). Na história, Flash é um adolescente que vive isolado e está doido para fazer amigos. Sua dificuldade de adaptação ao mundo real desaparece quando Batman o convida para fazer parte da Liga. É entre os esquisitões que ele se sente bem e descobre a real capacidade de seus poderes. Entre eles, o de deixar o clima leve quando os outros heróis não se entendem.

Liga da Justiça vale por Flash e também pela Mulher-Maravilha. Não apenas pela exuberância de Gal Gadot na pele de Diana Prince, mas principalmente pelo lugar que ela ocupa na narrativa. O arco individual da Mulher-Maravilha é o de se reconhecer como a liderança real do grupo desajustado, seja como um exemplo para os mais jovens (Flash e Ciborgue, vivido por Ray Fisher), como uma guia para o outsider (Aquaman, interpretado por Jason Momoa) ou até uma referência de racionalidade para Batman, um atormentado por natureza. Ter uma mulher na liderança de um grupo de homens – incluindo um Super-Homem! – é uma grande contribuição de Liga da Justiça para os tempos atuais.


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