Segunda-feira - Manaus - 20 de novembro de 2017 - 20:10

MANAUS-AM

​PMs e agentes vendiam armas para chefes de facção no Compaj, em Manaus

Local do massacre de detentos no início do ano tinha tabela de preços para regalos aos detentos, segundo investigação de força-tarefa

REDAÇÃO TODA HORA

Publicado em 10 de novembro - 09:11

Massacre aconteceu no Compaj no primeiro dia do ano.

Foto: Marcelo Camargo/ ABr

Manaus - As armas usadas para assassinar detentos no Compaj (Complexo Penitenciário Anísio Jobim), no início do ano, em Manaus, objetos proibidos entravam de acordo com uma tabela de preços. Por R$ 1,5 mil a R$ 3 mil, um detento podia conseguir pistola com munição. Os facões desviados da cozinha saíam por R$ 200 a unidade, mesma quantia de um aparelho de telefone celular. Já a garrafa de uísque custava até R$ 1 mil. As informações foram divulgadas primeiro no Portal UOL.

A investigação aponta que policiais militares e agentes de ressocialização permitiram que chefes da facção criminosa FDN (Família do Norte) tivessem acesso a pistolas e facões, mediante pagamentos de propina, dentro do maior presídio do Amazonas. 

As informações constam de inquérito conduzido pela força-tarefa criada pela SSP (Secretaria da Segurança Pública) do Estado para investigar a chacina de 56 presos durante a rebelião do dia 1º de janeiro --quase metade das vítimas era filiada à facção paulista PCC (Primeiro Comando da Capital), que disputa com a FDN o controle dos presídios e das rotas de tráfico na região Norte.

"É importante ressaltar que a posse de tais armas de fogo por parte do grupo rebelado, todos membros da FDN, foi crucial para que eles atingissem o seu objetivo, qual seja a morte dos internos da facção rival e de outros internos em condições de vulnerabilidade", afirmaram, no inquérito, os delegados responsáveis pela investigação.

Depoimentos de detentos que revelam como funcionava o esquema de corrupção dentro do Compaj.