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MUNDO

Londres diz que Rússia testou envenenamento em maçaneta

Governo diz ainda que que russos espionaram, sim, Skripal

REDAÇÃO TODA HORA

Publicado em 13 de abril - 13:23

Não é comum o governo britânico divulgar ao público esse tipo de detalhe de um caso ainda em andamento. 

Foto: AFP

O governo britânico decidiu divulgar detalhes nesta sexta-feira (13) do relatório confidencial que investigou o envolvimento da Rússia no envenenamento do ex-espião Serguei Skripal. 

Segundo as informações reveladas, Moscou já realizou testes para envenenar uma pessoa a partir da maçaneta de uma porta e espiona os emails da filha de Skripal desde 2013. 

Embora os relatórios feitos por Londres sobre o caso continuem secretos, parte das informações contidas neles foram publicadas em uma carta aberta enviada por Mark Sedwill, conselheiro de Segurança Nacional, ao secretário-geral da Otan (a aliança militar do Ocidente), Jens Stoltenberg. 

Na carta, o britânico tenta explicar como Londres chegou a conclusão de que apenas Moscou pode estar por trás do ataque feito no dia 4 de março da cidade de Salisbury, na Inglaterra, contra Skripal e sua filha, Iulia. 

Sedwill afirma que o email da filha foi atacado por hackers ligados ao serviço de inteligência russo em 2013 e que segue como alvo desde então.  

Ele também diz que amostras obtidas de pai e filha, assim como do policial Nick Bailey -que acabou contaminado ao ajudar os dois- confirmam que o envenenamento foi feito usando o agente neurotóxico Novitchok, substância desenvolvida pela União Soviética nos anos 1980 e que teria sido aperfeiçoada pelos russos após a queda do comunismo.

De acordo com a carta, o governo de Vladimir Putin manteve um programa sobre armas químicas nos anos 2000. "Este programa depois incluiu testes para descobrir maneiras de usar agentes neurotóxicos, incluindo sua aplicação em maçanetas de portas", diz Sedwill.   

A carta do assessor britânico foi feita um dia após a Organização para a Proibição das Armas Químicas (Opaq) anunciar que que sua análise da substância usada no envenenamento confirmou a tese britânica sobre o caso, mas sem citar diretamente a Rússia.