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MUNDO

Líbano chora pela Seleção do Brasil

Na periferia sul de Beirute, apesar da seca de títulos mundiais do Brasil desde 2002, os brasileiros continuam a reinar

REDAÇÃO TODA HORA

Publicado em 8 de julho - 11:36

Em um bairro humilde na periferia de Beirute, a capital do Líbano, a Seleção brasileira de futebol desperta paixões

Foto: Reprodução/AFP

As bandeiras do Brasil estão por todas as partes e tiros são ouvidos, mas não estamos numa favela do Rio de Janeiro: em um bairro humilde na periferia de Beirute, a capital do Líbano, a Seleção brasileira de futebol desperta paixões.

"Aqui somos todos brasileiros. Amamos o Brasil, não importa o que aconteça, mesmo que perca", assegura Ali, de 24 anos, após a eliminação da equipe da Copa do Mundo-2018 na sexta-feira nas quartas de final para a Bélgica (2-1).

Na periferia sul de Beirute, apesar da seca de títulos mundiais do Brasil desde 2002, os brasileiros continuam a reinar e as pessoas admiram sobretudo Ronaldo, Pelé, Roberto Carlos e agora, claramente, Neymar.

É comum ver casas decoradas com bandeiras brasileiras e cartazes com as imagens dos jogadores em lojas.

"O torcedor deve apoiar sua equipe nas vitórias, mas também nas derrotas", afirma Ali, que trabalha como entregador para uma multinacional.

No Líbano, o Brasil é percebido como uma país próximo por razões históricas e familiares. Milhões de libaneses da diáspora escolheram como casa o maior país da América do Sul no século XIX e, inclusive, o atual presidente, Michel Temer, é de origem libanesa.

Em um país mediterrâneo com problemas de desigualdades sociais e econômicas, onde serviços básicos como fornecimento de água, eletricidade ou coleta de lixo são problemas regulares, a paixão do futebol ajuda a esquecer as dificuldades do dia a dia.

"Como em casa"

Haydar Baddar, de 38 anos, instalou um projetor fora de casa, em uma rua estreita. Dezenas de torcedores invadem a calçada e se sentam em cadeiras de plástico, principalmente homens, para ver as partidas. O número 10 de Neymar domina as camisas.

Algumas meninas são vestidas com as cores do Brasil, com camisa amarela e véu azul cobrindo os cabelos. Há famílias que assistem às partidas de suas varandas, ao som de tambores e vuvuzelas, quase como se a sua seleção nacional estivesse jogando, algo que fica claro com a comemoração do único gol brasileiro na derrota para os belgas.

Ao final da partida, alguns tinham lágrimas nos olhos.

Haydar Baddar saca sua pistola e dispara para o ar.

"Aqui, nesses bairros, vemos o Brasil, seus bairros e suas ruas, como se fossem nossa casa", assegura o homem de barba bem aparada.

"Na periferia sul, desde que nascem, os meninos jogam futebol no asfalto. Não há campos de futebol. Quando cai a noite, às vezes, todos nós jogamos", explica o comerciante.

Hussein Mohamed, de 25 anos, abandonou a escola "por causa do futebol", explica.

"Saia da escola, tirava a mochila e ia jogar na rua", lembra. Ele carrega o Brasil na pele, literalmente: tatuou o escudo da Seleção, com suas cinco estrelas mundiais.

"É uma história de amor desde a infância. Um vício", garante.

"Estamos num país que está numa situação muito ruim. Este bairro é muito pobre. O futebol te faz esquecer. Quando estou de saco cheio, vou ao estádio e esqueço dos problemas", conta.

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