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MUNDO

Crise na Venezuela leva mais mulheres a prostíbulos

Mulheres como Juana, de 50 anos, passaram a vender os próprios corpos para alimentar as famílias

REDAÇÃO TODA HORA

Publicado em 10 de janeiro - 16:18

No país sul-americano não há instrumentos jurídicos que proíbam ou permitam a prostituição

Foto: Divulgação

Aqueda dos preços de petróleo, fonte principal de rendimento para o país (96%), causou dívida externa de US$ 150 milhões para Venezuela. Nos fim das contas, os mais afetados são as famílias numerosas. 

O hotel de três andares na parte ocidental de Caracas virou casa para Juana, prostituta de 50 anos, que junto com sua filha, de 30 anos, trabalha no prostíbulo da capital venezuelana. Ambos encontraram salvação nesta profissão para sobreviver à crise, que vem atingindo todo o país nos últimos anos.

"Melhor vender meu corpo do que ver a minha filha procurando por comida na lixeira, pois seria muito triste", diz mulher de 30 anos.

As mulheres asseguram não ser suficiente para comer e sustentar a família, mesmo este dinheiro sendo maior do que salário mínimo. Em 31 de dezembro, o presidente Nicolás Maduro declarou aumento do salário mínimo para 797.510 bolívares (US$ 8, ou R$ 25,8). Levando em consideração os gastos (aluguel, táxi), Juana e Juanita confessam que comer carne ou frango é um grande luxo. 

No país sul-americano não há instrumentos jurídicos que proíbam ou permitam a prostituição.A lei constitucional sobre direitos das mulheres para vida sem violência prevê punição de 20 anos de prisão apenas para aqueles que traficam pessoas. 

O Ministério da Saúde também não dispõe de estatísticas quanto à prostituição e mulheres que trabalham neste ramo afirmam que se sentem desprotegidas. De acordo com policiais que trabalham na capital venezuelana e que pediram anonimato, no centro de Caracas há mais de 40 prostíbulos de várias categorias.